O livro enfoca, de forma direta e exaustiva, como a questão da saúde se inseriu no período histórico que vai do golpe de 1964 à conclusão do que se convencionou chamar de "transição democrática", detendo-se em particular na atuação - e lacunas - do serviço social dentro das lutas sociais pela democratização dos serviços públicos de saúde. Recaem nas mãos dos assistentes sociais responsabilidades muito maiores do que aquelas que já desempenhavam quando o déficit social era assumido como tarefa do regime democrático restabelecido. Agora se trata de, com uma das mãos, cumprir as funções profissionais nos pontos em que a sociedade dessangra quando a injustiça foi instaurada como política de Estado e, com a outra, lutar pelo descaramento do conselho neoliberal e pela criação de uma nova hegemonia - popular, democrática, com alma social. Para isso, o livro fornece munição essencial. Como dizia Brecht: "E agora que vocês viram no que a coisa deu, jamais esqueçam como foi que tudo começou".

Emir Sader

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